DECRETO Nº 32.488, DE 17 DE OUTUBRO DE 2008.
Declara como Área
de Proteção Ambiental – APA a região que compreende os Municípios de Itamaracá
e Itapissuma e parte do Município de Goiana, e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO ESTADO, no uso das atribuições que lhe
confere o artigo 37, inciso IV, da Constituição do Estado, e tendo em vista o
disposto no artigo 8º da Lei Federal nº 6. 902, de 27 de abril de 1981, e a Lei
Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000,
CONSIDERANDO a necessidade de se promover a dinamização e
diversificação das atividades e oportunidades produtivas do litoral norte, garantindo que o desenvolvimento sócio-econômico se faça
com a preservação de seu patrimônio natural, histórico e cultural;
CONSIDERANDO que o
Complexo Estuarino do Canal de Santa Cruz é um dos ecossistemas mais
importantes do litoral do Estado de Pernambuco, representando uma unidade
ecológica de grande significado ambiental e sócio-econômico, em virtude de sua
grande biodiversidade e produtividade primária e secundária;
CONSIDERANDO o importante papel que as atividades
piscícolas desempenham para a economia e sobrevivência da população local e a
importância da manutenção da qualidade ambiental dos estuários para a
viabilização sócio-econômica de grande parte da população residente na área em
apreço;
CONSIDERANDO a relevância da expressão social e cultural
das comunidades tradicionais do Município Ilha de Itamaracá e dos municípios
circunvizinhos;
CONSIDERANDO que a área possui significativos remanescentes
da Mata Atlântica e ecossistemas associados, que além de abrigar espécies raras
e ameaçadas de extinção, exercem importante papel na proteção do solo e do
relevo, na manutenção dos recursos hídricos superficiais e na recarga dos
mananciais subterrâneos;
CONSIDERANDO que de acordo com o Atlas da Biodiversidade de
Pernambuco esta área se configura como de “extrema importância” e “importância
muito alta” para a conservação da biodiversidade, abrangendo seis Refúgios de
Vida Silvestre e três áreas estuarinas estabelecidas respectivamente pelas Leis nº’s 13.539, de 12 de setembro de 2008,
e Lei nº 9.931, de 11 de dezembro 1986;
CONSIDERANDO que a Formação Beberibe, característica mais
marcante da geologia da região e mais importante reserva de água subterrânea em
exploração para abastecimento público da Região Metropolitana do Recife é
bastante vulnerável à poluição e contaminação provocadas pelo uso e ocupação
inadequados do solo;
CONSIDERANDO por fim que a promoção do desenvolvimento
sustentável do litoral norte de Pernambuco deverá ser pautada na proteção dos
recursos naturais, na valorização do homem e na preservação do patrimônio
ambiental, social, histórico, artístico e cultural, ali existentes,
DECRETA:
Art. 1º Sob a denominação de APA de Santa
Cruz, fica decretada como Área de Proteção Ambiental, a região situada nos
Municípios de Itamaracá, Itapissuma e Goiana, totalizando uma área de 38.692,32ha
(trinta e oito mil, seiscentos e noventa e dois vírgula trinta e dois hectares), conforme memorial descritivo e delimitação geográfica
constantes dos Anexos I e II deste Decreto.
Art. 2º A decretação de que trata o artigo anterior, tem por objetivo:
I - promover o desenvolvimento sustentável respeitando a capacidade de
suporte ambiental dos ecossistemas potencializando as vocações naturais,
culturais, artísticas, históricas e ecoturísticas do território;
II - proteger o complexo estuarino do Canal de Santa Cruz e dos rios
Itapessoca e Jaguaribe, considerados de relevante importância ambiental e de
grande potencial piscícola, de forma a conservar a sua qualidade, diversidade
biológica e seus recursos pesqueiros;
III - proteger as espécies raras, endêmicas, vulneráveis e ameaçadas de
extinção existentes nos 06 (seis) Refúgios de Vida
Silvestre e nas 03 (três) Áreas Estuarinas;
IV - proteger o Aqüífero Beberibe, assegurando as condições de
permeabilidade e manutenção de suas áreas de recarga;
V - preservar a cultura local, os hábitos das comunidades tradicionais
no que tange às atividades econômicas e os valores locais;
VI - proteger o significativo acervo histórico, artístico e cultural,
remanescente do período colonial português e da presença holandesa em
Pernambuco;
VII - promover a melhoria da qualidade de vida da população da região.
Art. 3º Para a implantação e gestão da APA de Santa Cruz serão adotadas
as seguintes providências dentro do prazo de 18 (dezoito) meses, a contar da
publicação deste Decreto:
I - elaboração de diagnóstico sócio-ambiental;
II - elaboração do zoneamento ecológico-econômico e plano de manejo;
III - elaboração de plano de uso dos Arranjos Produtivos Locais – APL;
IV - definição, criação e implantação do Conselho Consultivo da APA;
V - divulgação das medidas previstas neste Decreto, objetivando o
esclarecimento aos diversos segmentos envolvidos com a APA de Santa Cruz e suas
finalidades.
Art. 4º A elaboração do diagnóstico sócio-ambiental, do zoneamento
ecológico-econômico, do Plano de Manejo e do Plano de Uso ficarão a cargo da
Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – CPRH, com o apoio da
Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco e da
Secretaria de Planejamento e Gestão.
Parágrafo único.
O zoneamento ecológico-econômico e o plano de manejo indicarão as diretrizes e
normas de uso e ocupação, as atividades a serem encorajadas, limitadas,
restringidas ou proibidas em cada zona, de acordo com a legislação aplicável.
Art. 5° A gestão da APA se dará sob a coordenação da CPRH, auxiliada por
um Conselho Consultivo, a ser designado por portaria do titular do órgão
gestor, com representações de entidades públicas, em nível federal, estadual e
municipal, e da sociedade civil. (Redação alterada
pelo art. 1º do Decreto nº 44.789, de 27 de julho de
2017.)
Art. 6º Além das proibições, restrições de uso
e demais limitações previstas na Lei Federal nº. 6.902, de 27 de abril de 1981,
na Resolução CONAMA nº. 010/88, na Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000,
no Decreto Federal nº 4.340, de 22 de agosto de 2002 e demais normas
aplicáveis, o instrumento normativo que aprovar o zoneamento
ecológico-econômico, para a APA de Santa Cruz, deverá estabelecer outras
medidas que assegurem o manejo adequado da área.
Art. 7º Ficam incluídas na APA de Santa Cruz,
como zonas de preservação e conservação de vida silvestre:
I - os Refúgios de Vida Silvestre instituídos
pela Lei nº 13.539, de 12 de setembro de 2008,
denominados: Matas do Engenho Amparo, do Engenho São João, do Engenho
Macaxeira, de Jaguaribe, Lanço dos Cações e Mata de Santa Cruz;
II - as áreas estuarinas e manguezais dos Rios
Itapessoca, Rio Jaguaribe e do Canal de Santa Cruz, definidas pela Lei nº 9.931, de 11 de dezembro de 1986.
Art. 8º Este Decreto entre em vigor na data de sua publicação.
Art. 9º Revogam-se as disposições em contrário.
Palácio do
Campo das Princesas, em 17 de outubro de 2008.
EDUARDO
HENRIQUE ACCIOLY CAMPOS
Governador
do Estado
ARISTIDES
MONTEIRO NETO
GERALDO
JÚLIO DE MELLO FILHO
LUIZ
RICARDO LEITE DE CASTRO LEITÃO
DJALMO
DE OLIVEIRA LEÃO
FRANCISCO
TADEU BARBOSA DE ALENCAR